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Uma parte de mim é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim pesa, pondera:
outra parte delira.

Uma parte de mim é permanente:
outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim é só vertigem:
outra parte, linguagem.

Traduzir-se uma parte na outra parte

que é uma questão de vida ou morte

será arte?


Ferreira Gullar

Olá Amigas (os)

Como disse Clarice Lispector num de seus livros:"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania, depende de quando, e como você me vê passar..."

Sou AfroSouZed, descendente de uma linhagem de afro-brasileiros que chegou ao Estado do Rio de Janeiro no final do século dezenove em busca do significado pleno da palavra LIBERDADE. Popular no cotidiano carioca do início do século, meus ancestrais frequentaram as festas baianas e rodas de partido alto que aconteciam nos arredores da Pedra do Sal (no coração da região conhecida como Pequena Africa) e as rodas de Jongo pelo interior do estado. A fusão de tudo isso deu na invenção do samba urbano nascido no Estácio, Mangueira e Portela.

Com a intensificação da globalização das culturas resolvi conectar minha brasilidade com esse MIX de ritmos e tradições afro-cubanas, afro-latinas e afro-indianas.
Mas se quiser me definir, digamos que eu seja um outsider que vive de acordo com o lema filosofo Giles Deleuze "Faça da sua vida uma obra de arte"


Sendo assim, uma de minhas maiores paixões é conhecer cada vez mais a diversidade de manifestações culturais que compõe o chamado Black Atlantic. É uma busca que tem a ver não só com a questão da identidade ( que é importante para nós Afro-brasileiros) mas também, com a questão da visibilidade que nos desafia a cada momento em que nossas marcas de cor e origem são postas em evidência. Nossa luta pela visibilidade faz com que continuem atuais as palavras escritas por Ralph Ellison em 1952 quando tentava refletir a invisibilidade da população negra na América:


" Sou um homem invisivel. Não, não sou um homem fantasma como os que assombram Edgar Allan Poe....Sou um homem de substancia. de carne e osso, fibras e liquidos - talvez se possa até dizer que possuo uma mente. Sou invisivel, compreeendam, simplesmente por que as pessoas se recusam a me ver. Minha invisibilidade também não é, digamos, o resultado de algum acidente bioquimico da minha epiderme. A invisibilidade á qual me refiro ocorre em função da disposição peculiar dos olhos das pessoas com quem entro em contato"


Saudações a todas (os)

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Às 11:14 em 17 novembro 2009, Diane Gomes Santana disse...
Ed,obrigada pelo carinho...só agora tive oprtunidade de ler seu e-mail...gostei muito!!! valeu!!! um grande abraço!!
Às 15:39 em 2 novembro 2009, Diane Gomes Santana disse...
Oi Ed seja bem vindo[:)]
 
 

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